A cortiça com origem na casca (suber) dos sobreiros (Quercus súber) é ainda uma riqueza da Serra Algarvia que conheceu uma quebra, com os incêndios de verão que devastaram uma extensa zona de sobreiros, é um património interessante com imensas potencialidades no futuro da região.
Composta por ar alojado em compartimentos estanques, revestidos por uma espécie de resina, que numa camada com 8 cm de espessura se estima existirem 500 milhões de células, unidas como se fossem um favo de abelhas, foram as primeiras células observadas em 1665 por Robert Hooke no seu microscópio primitivo.Espantado com o que viu o cientista chamou-lhe células por semelhança com as celas onde os frades se recolhiam para meditação.
Certo, certo é que Portugal é o maior produtor mundial de cortiça, produzindo ao sul do Tejo mais cortiça e com mais qualidade que os restantes países concorrentes-França. Espanha. Itália.
Devido ás suas propriedades,a cortiça foi desde a antiguidade utilizada por Egípcios, Gregos e Romanos e tem um futuro promissor que alarga a sua utilização a novos produtos e mercados.
Curiosamente estamos perante um recurso natural que não requer a destruição da árvore mãe, o que levou Fidel de Castro, quando visitou Portugal em 2001 e foi então recebido pelo Presidente Jorge Sampaio, a fazer questão de assistir a uma desboia, porque lhe custava a acreditar que as rolhas que Cuba importava não obrigarem à destruição dos sobreiros.
O mercado dos produtos de cortiça tem sofrido notável expansão com a criação de novos produtos e aplicações, tendo-se destacado uma unidade industrial de S. Brás de Alportel, pelo seu investimento na inovação e na criação de novos e interessantes produtos transformados a partir da cortiça.
No Concelho de Loulé, apesar dos danos causados pelos incêndios que desvastaram uma extensa área de sobreiros, continua a ter núcleos significativos de sobreiral no Barranco do Velho, na Quintã, nos Corsitos, em Querença, na Cortelha, em Touriz e Cabeça da Vaca.